sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Diário

E na hora do desespero, onde tudo, onde o mundo é hostil devemos procurar o líder dos nossos inimigos, devemos procurar a nós mesmos; vencer o que em nós nos impede anula a força de qualquer exército, qualquer adversário periférico - poucos males nos acontecem sem nossa autorização - uma armadura forjada no autoconhecimento é filtro que só nos permite batalhas simbólicas, lutas que são pontes cujo destino é quem somos - talhados os excessos, como se faz com uma árvore, encontramos a beleza artística do eu, e nele estão todas as outras maravilhas; e só depois de íntimos a nós mesmos podemos adornar o que é fora de nós.
Encontremo-nos. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mais de Mim

Estudo muito a seara das inadequações em minha vida - é doloroso, mas gosto de ver-me caótico - observo como mero espectador da minha existência; prefiro enxergar o contraste do que ando fazendo com o que sou; dói, desespera..., pego-me, por prestar-me atenção, em surtos de choro, gritos silenciosos... Mas só assim ajo: é preciso conhecer nosso inferno para dele sair; sei que voltarei, como sei que serei capaz de novamente abandoná-lo. Fechar os olhos da mente para o caos é apenas sofrê-lo, não podemos nos matar aos poucos - abusar de relações e substâncias tóxicas, abandonar o conforto de estar adequado ao que se é.
Ser blasé à própria decadência é morte, morte em vida fede.

Não Foi Tua Culpa

Às vezes, simplesmente não temos forças, o erro simplesmente é maior que nossa capacidade de acertar.
Livrar-se de uma culpa que simplesmente não nos pertence pode ser único caminho para a redenção, vetora da luz que nos fará fortes e precisos.

domingo, 27 de novembro de 2016

É

É indispensável pré-requisito para saber-se dono de si entender e aceitar quando se precisa de ajuda. 
Independência cabal é incapacidade velada.

Pares

Dias para descanso, fases para poucas obrigações, existência de certezas líquidas.
Se só o diabo é quem trabalha em mentes vazias, saudade sem rosto é coisa de baixo. Liberdade desértica só pode ser sagrada se exceção: solidão perene nos algema simbioticamente: correntes nutrem a alma que renasce, de punhos mostrados, em resignação que lustra os cadeados a nos impedir razão, sanidade.
Faz falta ser par, sempre foi assim; não como nos entorpecem príncipes, princesas e felizes finais, mas pares que nos catam, folhas que somos, ao vento - guardando-nos em segura concha, sem pressão; fazendo mais planos os nossos horizontes à medida que vamos nos entregando, aconchegando.
Nos prendendo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Preço - Pressa

Esquecer a urgência da calma hedoniza prazeres medíocres: grandes satisfações costumam vir de sonhos, metas e caminhos; a vida voa - ou nos empenhamos agora ou logo não teremos tempo para usufruição, nem que o vento traga nossos desejos feito folhas esfregando-se em nossos rostos.

sábado, 19 de novembro de 2016

Antiespelho

Quando faz-se da inadequação regra, repelimos quem de fato somos; o caos emocional não é lugar habitável, mas há muita gente por lá. Pessoas que não ampliam nossos horizontes devem permanecer afastadas, devemos nós afastá-las: o mal, antes de "botar as asinhas de fora" - chega carinhoso, manso.
E para sair é uma trabalheira...

Eu

Um povo ensimesmado, vários povos de um. 
Egos e olhos voltados para cima; nunca para os lados - gerando vestes, "tapas" -como o bruto uso sugere - proibitivas a olhares horizontais, à visão panorâmica.
A verdade é que poucos sem importam com poucos; e raro é que o significado seja recíproco. Herdamos muito dos tempos das caçadas, e o mundo evoluiu antes de nós. Se é toda a iniquidade defesa, espero que todos nós nos desarmemos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Enfim, ...

Não perdoar é manter um defunto em nossa sala de estar; esquartejemos o mal que nos fizeram e, embalados em saco preto, alijemos no mais indiferentes dos nossos rios anímicos. 
Carregar o ódio nos impossibilita de abraçar novas chances.

Não Dá. Vá.

Toda a esquizofrenia entre a vida publicada e a existência que se vive faz-nos fundidos em suturas assimétricas, simbiose mal encaixada.
Começo uma nova vida virtual para esquecer de quem estou, dar atenção aos verdadeiros que me significam e controlar meu pior inimigo: este que vos escreve.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Semibreve

Somadas as crises financeiras, creio que só os muito ricos não a sentem, com as crises existenciais, a vida atola numa fermata (na música, figura que representa uma pausa de valor - o que chamam 'tempo' - indefinido) diabólica.
É preciso muita fé, em Deus e no homem, para espernear e sair do lamaçal antes de chafurdarmos a cabeça, de perdermos os fios de respiração que nos mantém vivos, lúcidos.
Provações são ininterruptas, mudam de segmento, mas se dão as mãos; há uma vantagem em meio a todo o sofrimento em críticos momentos: magicamente, quem não presta desaparece.
Quando, em desespero cabal, sentir vontade de sair correndo e gritando, corra e grite, qualquer atitude louca é melhor que passar a vida procurando a ideal, o regalo espiritual.
O pecado de cujo fomos limpos há miríades de anos está precisando de uma boa faxina; e se esperarmos o "Diarista" salvador para observarmos Sua ungida labuta, estaremos em movimento contrário ao que nos foi por Ele ensinado.
Imagine o Coitado carregando sozinho as cruzes de todos os, nós, condenados.
Peçamos força, coragem e alimento para a fé.
Amém.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Repescagem

Dentre as miríades de porcarias que nos fazem esquecer quem somos, fazendo-nos arremedo de nós próprios, ou nem isso, estão as relações tóxicas: afeto que nos desiquilibra, amizade que nos entorta, companhia que nos faz piores ou mesmo parentescos simbióticos - prisões sem muros. 
Momentos de solidão são essenciais para que percebamos o distanciamento que nos permitirmos efetivar - o sequestro anímico que sutilmente nos toma. O triste é que favorecendo o que nos é tóxico afastamos o que nos é bom - fazemos mal aos os que de fato nos querem bem e, ainda, ganhamos mais alguns gramas de culpa para ensacarmos com o que já carregamos nas costas.
E há um agravante: nem sempre a toxidade é percebida a olho nu - é preciso alguma reflexão para entendermos quão destrutiva foi (ou é) uma relação.
Atentemo-nos logo, o tempo nunca está a nosso favor.

Parede

Sabemos que nosso cérebro trabalha a nosso favor, coonestando erros e endossando opiniões; porém, quando refletimos com vontade somos capazes de perceber nossas falhas.
Mas quando lidamos com pessoas pancadas, é melhor desistir de buscar o ponderável, a "verdade": elas sempre, por mais absurdo que seja, terão a razão - forjarão mentiras absolutamente críveis a elas próprias e partirão vitoriosas aos respectivos e solitários reinos. Já reparou que quem sempre tem razão não tem amigos, não tem afeto e, tampouco, verdadeira alegria.
Contrariar louco é enxugar gelo.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Somos felizes? Várias vezes.

Como já disse o poeta: "a felicidade está onde a pomos, mas nunca a pomos onde estamos."
Como somos tolos... Preguiçosos... Pueris...
Interioridades e fatores externos oscilam nossas sensações, mas produzindo e vislumbrando o melhor: o bem, a paz, a equidade..., somos capazes de mesmo no olho do furacão experienciar a edificação perene da alegria onipresente, a apaixonada felicidade.
Pouco sei sobre ser feliz, mas muito garanto que a inércia e negativismos da felicidade só nos afastam.
Apenas por estar aprendendo já me sinto a caminho, vislumbrando inexorável paz de espírito. A mim, ao mundo. Apesar de tudo.

Alta Ajuda


Costumamos dizer que não nos importa a opinião dos outros... 
Só acredito quando isso sai da boca de um idoso, que realmente já alcançou essa sábia indiferença.
Nós somos assaz movidos pela imagem que fazem de nós; isso é bom: acabamos "melhorando" para nós mesmos. 
Por que aspei "melhorando"? Respondo: porque só melhoramos nas coisas finitas, no tempo vertical, o que provém prazer, felicidade fugaz. Um bom emprego, um comportamento "adequado", uma cara aquisição material... 
Poxa..., a felicidade provinda do ter e do parecer é tão insustentável, tão breve.
Quanto antes aprendermos a viver o tempo horizontal, o tempo do "ser", o tempo dos significados, mais cedo usufruiremos a felicidade sustentável, aquela onipresente, aquela que é o "plano de fundo" de nosso espírito, pouco importanto tristezas passageiras ou não.
Sendo felizes apenas por sermos, sem "opróbrios íntimos" - somos a adequação dos caminhantes no caminho.
Aí, sim, a geralmente maldosa visão de outrem pouco ou nada nos importará.
Em tempo: esta é a vista que tenho da janela de minha sala.

Vicioso

Nas raras vezes em que assisto à televisão, sintonizado nos meus dois raros canais validamente assistíveis, enfrento com algum nojo publicidades partidárias que irrompem os intervalos dos raros programas de que gosto. Publicidade partidária já é enjoativa por si só, mas a soma dessa mentirada com o feminismo é de matar. 
Abomino o feminismo como também execro o machismo: ver mulheres dizendo que fazem "tudo" melhor que os homens só me remete ao inverso: homens dizendo que fazem melhor que mulheres.
Quadrado vicioso!!!
Quando aprenderemos que talento, competência, bondade e demais qualidades independem de gênero, orientação sexual, cor, credo, classe social...?
Que guerra idiota, que povo inacabado. Inacabável?
Santos livros, santas teclas "mute".

Homo Demens

Em muitas feitas, ferem-nos querendo nosso bem. Em outras, apenas querem aventar o mal; mas com sabedoria e bom oportunismo tiramos algo bom do ataque: mesmo sem boa vontade, um ser obtuso pode escrever algo certo em tortas linhas, e saber fazer da maldade de outrem uma vacina, sagrada alquimia, nos consagra a humanidade. Ser humano sem usufruir e saborear a vida, tudo, pode beirar a animalidade em seu mais burro sentido.

Tijolo

Como seres em inacabável construção, erramos, ferimos, marcamos...
Mas nos arrependemos, tentamos correção e amenizar as consequências de nossos erros.
Mas há pessoas que não têm compaixão, misericórdia... Passam a nos tratar como leprosos e são incapazes de perdão.
Que triste para elas, não há nada de cristão nisso.

sábado, 19 de setembro de 2015

Diga

Não sabemos até onde chegaremos, mas sabemos de onde devemos sair.
Podemos?

Grama

Ninguém ganha peso radicalmente, e não deve-se ser radical para perdê-lo; do contrário, o mais provável é um peremptório fracasso. Só quero usar o que acabo de dizer para fazer uma analogia para com a satisfação existencial: dificilmente conseguiremos com um passo gigantesco alcançar uma meta, o tropeço é quase iminente. Grandes mudanças são provindas de sutis atitudes e delicadas podas: quando se frea bruscamente, pode-se capotar. Parece bobagem, mas num pensamento positivo, ou mesmo num sincero "bom dia", pode estar a chave ignitiva da transformação. Devagar é mais seguro.