quinta-feira, 10 de julho de 2014

Contradições Quarentenárias

O orgulho: de nunca ter entrelaçado corpos sem beijos, de nunca ter pago por sexo, de nunca ter dito "eu te amo" sem ao menos achar que era verdadeiro.
Engraçado, sou mais homem quando menos macho - e bicho quando mais penso.
Como já disse em outro texto: sou capaz de até mesmo ser eu.

domingo, 6 de julho de 2014

Radiografia 3x4

Ele chora... Advento feliz de uma paradoxal descoberta própria feita por outra mente.
Dor, medo, muito medo..., incapacidade e ocasos exponenciais não são o que para o nascer da salgada gota, a primeira da maré emotiva que inunda sua face, faltam; era necessária a não-metafísica: o que faltava eram palavras, capazes palavras.
Existencialmente radiografado, foi revelado à revelia, que, sem perceber, implorava.
Renuncia a morte renunciando a vida...
Que bom entristecer com a felicidade de este verbo ter nascido de duas das mais raras e, a ele, amadas bençãos: verdadeira amizade e palavras.
Chorando ele vê até a mocidade perdida.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Hoje Morreria

Onírico, desejo mais poético que o substantivo, sonho, que o relativiza, cria. 
Sim, a alma cicatrizada somada a uma chaga física que está a impossibilitar meu suor lacrimoso - é pelo esporte, pelo empenho, pela raça..., é salgando minha carcaça, até bonita, que "serotonizo" a dor que eu, logo eu - que fui obrigado a ser eu, escondo do mundo: a solidão anda mais compulsória do que deveria. Um afeto, sim - eu quero; mas não queria sabê-lo líquido - como foram os meus e os do resto do mundo - efemeridade... Dias modernos não obrigam mais as pessoas que se amaram a permanecer juntas. Eu quero nascer no passado: cortejar, sorrir, dar as mãos, ser cavalheiro, caminhar de braços dados, fazer de minha paixão minha senhora - dar meu nome. Perecer corporalmente juntos, como foi afetivamente. Fazer o milagre de uma pessoa não mais amada ser indispensável a minha existência. Quero chorar - a secura empoeirada abaixo dos meus olhos já "descromatizam" o belo para cujo já estou quase cego. A poesia dói, algumas saudades surgem, a arte alimenta quem hoje é quem mais temo, arqui-inimigo: minha sensibilidade. À dor da pele.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ratos e Petróleo

Deve haver um submundo, talvez edificado nas redes de esgoto ou sob o pré-sal - fica difícil saber - onde os bebês são criteriosamente selecionados e preparados para serem desinstruídos por academias de excelência negativa; começa no ensino formal, onde desaprendem o natural dom de aprender; seguindo para a faculdade que polirá qualquer resquício de polidez que possa ter passado despercebido (afinal os professores são idiotas - e nesse caso, mais idiotas ainda: não conseguiram atingir o grau máximo da idiotice). Depois, naturalmente, seguem ou não por mestrados, doutorados...
Esses mestres e doutores são encaminhados a um breve curso de informática (aprender a ligar o computador e criar uma página no Facebook e/ou Twitter e enviados à superfície para fazer ao que treinados foram: serem chatos e burros.
Nota veladamente explicativa: Meu querido, não se meta com intervenções cretinas no pouco de bom que usufrui-se por aqui. Tente estudar ou desista de invejar.
Vá ao parquinho.

domingo, 22 de junho de 2014

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Altar

A contradição: a paixão pela Solidão e o necessário fastígio.
É o artista ser moral e intelectualmente, e passando pelo afeto, híbrido.
O caminho de colossal distância entre os polos emocionais é atalhado com gigantes saltos; ora furiosos, ora plácidos. Ou desidiosa inércia.
Não há contrição: estar anacrônica e existencialmente fora do lugar (polo momentaneamente errado) gera arrogância ou falta presencial.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Quem

Uma expressão plácida, um coração candente. Porfia, talvez inútil, de avatarizar-se em paz.
Desídias a si próprio, respostas evasivas à própria existência. Falácia trivial, porém, posto que assim é, cabal e popularmente antagônica: o que se mostra subjuga o que se é - o eu descontente raramente é exposto: defesa cognitiva para pertencer ao mundo. E bem-aceito ser.
O que somos vale mais do que o que temos; mas o que temos é o que somos - não materialmente, também material. As cicatrizes existenciais se emendam e nos fazem curvar, é a hora da angústia, do medo, da solidão compulsória.
Aceitar a dor e mostrá-la a si mesmo, não ao mundo. Defender-se quimicamente contra a química matematicamente errada que nos forja.
E nunca, mesmo, esquecer que de qualquer forma a agonia é cíclica: chegada e êxodo.
Liberte-se preparando-se.