domingo, 19 de abril de 2015

Desalgeme-se

Gentilezas amiudadas perdem o valor ou tornam-se obrigações. 
Faça "tudo" para uma pessoa e o passo seguinte é você se tornar cabal e definitivamente, a ela, incapaz. 
Ser atencioso e carinhoso requer cuidado, um pequeno deslize (sutil excesso) endossa o direito de sequestrarem nossa subjetividade.

Antes...

Respeito medroso não é amor. 
Quem permite ser subjugado não é um par, é uma vítima; relação que não amplia os horizontes é vício, é patologia. 
O surpreendente é que é a vítima quem endossa o vitimador: ele não existiria sem ela; e essa condição de "sequestrado no afeto" só pode ser dissolvida pelo próprio refém. 
Se ao aproximar-se de alguém você se distancia de seus significados é melhor ver a relação por outro prisma e, se impossível "consertá-la", dela desistir. 
Em várias feitas, há muita sabedoria na desistência.

sábado, 4 de abril de 2015

Sonho [de padaria]

Quando o sonho e o nada mal se distinguem, pouco resta a fazer a mais que torcer... Muito. Vislumbrar pode ser tortura ou esperança. Ou os dois. 
Querer, desejar, rezar... A oportunidade da felicidade reconhecedora, merecida, ao mesmo patamar do justo, do equilibrado, do sonho trivial, do desejo corporal e intelectual... E a reciprocidade em altura, em merecimento. Pessoas especiais devem se juntar, ou vão restar o torto e banal como sobas.

Nada

Sem cultura, sem inteligência, sem equidade, sem humor, sem apoio; ou seja: sem uma compleição válida, que gere genuíno desejo, não há companhia: pode até haver outro ser, mas não outro par. 
O "nós" jamais nascerá sem qualidades específicas, as que geram a simbiose Indispensável para um relacionamento; simbiose gentil: não necessita de presença constante, de amputações idiossincráticas - de abandono. Faz de um sorriso alimento, a realização do par é nutrição anímica. 
Beleza é fundamental? Sei apenas que sozinha ela pouco é capaz: é como se escalássemos alguém para terceirizar nossos fracassos, nossa mediocridade... E nossa masturbação.

Que me devolveu a mim

Significados... O mesmo poder que eles têm de nos aproximar de nosso ser primário, o que somos antes e independentemente das marcas que viver nos implica, suas ausências têm de nos afastar de nós mesmos.
Quanto menos significado, mais mediocridade, mais alienação, mais perda de tempo - de vida. 
Nada é tão imoral quanto agirmos contra ou distante de quem somos. 
E quem somos não é o que somos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ovo e Galinha

O homem que sabe que sabe, desde sua criação ou determinante ponto da evolução, selvagem ou divinamente, sempre procurou um par.
Mas não é de tamanho distanciamento temporal que desejo falar.
Quero falar da iniquidade, a ausência que ausência não é, seria ela a falta de equidade, mas creio que ela nunca existiu (falo de pares).
Antes era o homem que de tudo fazia para subjugar sua mulher, sobrepondo-se.
Respeito medroso não é amor.
Muita água rolou e, hoje, a mulher não tem mais o dever de conviver com um desamado, salvo as dementes algures que ainda não notaram o próprio poder de ser-se.
Divórcios amiudados são naturais, o "felizes para sempre" foi criação social.
Quem suporta se deixar moldar (no limite entre equidade e sequestro da subjetividade) para simplesmente ver teu par feliz é quem "ama". Mas a paixão é dual: quem está apaixonado por alguém é mais apaixonado por si mesmo, o que o torna um subjugador tenaz e auto-vitimante, teatro que acaba por dá-lo a razão, sempre, por mais descabida que seja.
Pessoalmente, vivo as dores e delícias que minha solidão implica.
Mas também sou divino e bicho: preciso de você.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tente

[Sobre o afeto]

"A esperança é uma nuvem diáfana, se operante permite que desça a luz; se inerte, que as trevas alcem voo."