segunda-feira, 9 de junho de 2014

Quem

Uma expressão plácida, um coração candente. Porfia, talvez inútil, de avatarizar-se em paz.
Desídias a si próprio, respostas evasivas à própria existência. Falácia trivial, porém, posto que assim é, cabal e popularmente antagônica: o que se mostra subjuga o que se é - o eu descontente raramente é exposto: defesa cognitiva para pertencer ao mundo. E bem-aceito ser.
O que somos vale mais do que o que temos; mas o que temos é o que somos - não materialmente, também material. As cicatrizes existenciais se emendam e nos fazem curvar, é a hora da angústia, do medo, da solidão compulsória.
Aceitar a dor e mostrá-la a si mesmo, não ao mundo. Defender-se quimicamente contra a química matematicamente errada que nos forja.
E nunca, mesmo, esquecer que de qualquer forma a agonia é cíclica: chegada e êxodo.
Liberte-se preparando-se.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Adeus, Oi.

O amor é uma experiência anímica cíclica e líquida: constrói, destrói, constrói... 
Nasce belo e perfeito; morre cansado e desesperado pelo próximo (que será melhor). Nasce novamente, morre... 
Os casamentos não se desfazem a miríades pela pela falta de amor - é que hoje distanciar-se de quem te cansa animicamente não mais é imoral, tão pecaminoso e criminoso. 
Creio que Fábio de Melo tem razão: só edifica-se em boa base o relacionamento pensado (antes do início) no presente e no futuro: olhando com calma as possibilidades e adequações - sem o fervor lascivo e doentio (ficamos retardados, não?) da paixão. Esse amor vai cansar, como todos, mas permanecerá.

Insípidos

Os fantasmas oriundos de afetos recém ou mal terminados nos assombram. É como se nossa alma dormisse de luz acesa. 
Buscar a indiferença (pois ódio, nesses casos, geralmente não passa de amor inconformado) é um longo e duro caminho - é a sabedoria que nos permite tacar o dedo no interruptor. 
E acharemos, claro, um afeto melhor que o que não deu certo e pior que o próximo. Somos assim. Afetivamente líquidos.

Oportunismo

Não sou contra greves: dentro da lei, planejada e deliberadamente, tudo é legítimo. 
Agora, foder a vida de vários seres usando um diabólico oportunismo reivindicatório acerca do "não vai ter copa" é desumano. 
Muitos destes canalhas estarão de verde e amarelo, sentados ao sofá, com a cervejinha e irritantes cornetas aguardando o primeiro apito quando o "espetáculo" começar. 
Você sabe o que é esperar por uma consulta médica por mais de seis meses e no dia não ter com chegar a ela?
Vamos ferrar quem nos ferra, não quem se ferra com a gente. E há maneiras inteligentes, eficientes e legais para isso.
Em tempo: a cara de "surpresos" dos governantes (o Haddad em especial) é de madeira de lei.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mentira (in)útil

A mentira inútil chamada poesia só é bela por assim ser. Faltam mentiras enlevadoras, inutilidades. 
Está tudo cinza, banhemo-nos em cores falsas que saem com água e sabão.
Basta-te a vida?

terça-feira, 13 de maio de 2014

Rei de Copas

Esses protestos acerca da Copa da Fifa (para a maior parte dos protestantes) não passam de oportunismo (para greves, reivindicações pessoais disfarçadas de coletivas e afins); ao apito inicial estarão todos sentados, feito retardados (que são), com as latinhas de cerveja em mãos, de frente à televisão gritando e dando graças a Deus (veladamente, claro - somos todos militantes, não?) por não terem investido a colossal quantia de dinheiro em educação ou saúde.
Depois voltam a reclamar.
Que venha o Mundial de Clubes, que já está em negociação para que aqui aconteça. E o roteiro será o mesmo: oportunismo - felicidade (ópio) e reclamações; é o ciclo num país manipulável;
"País do futebol" - que título vergonhoso. Acho que vou para a Finlândia.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Darwin

Querem mesmo divulgar e incentivar quem já é racista (que não é nada criativo - essa história de jogar bananas já deu, não?) comendo bananas? 
A hora é de indiferença; não de sensacionalismo.
Mas se insiste: peça para uma amigo segurar seu smartphone e filmar enquanto você enfia a banana no reto. Depois, num flato, solte a casca em formato de estrela do mar. 
Vai dar o que falar, garanto. 
Meu povo, estão cometendo racismo imbecil e pueril - para chamar a atenção.
Seja blasé e a "criança" vai perceber que a brincadeira perdeu a graça.
E não venham com a história de "anos de escravidão", violência...; os tempos são outros, o racismo é social (claro que há idiotas preconceituosos que chegam à violência física) - lutem por educação igual para todos - sem cotas; não por casos isolados praticados por idiotas que querem aparecer.
E outra: a vítima (a última) é um ídolo (veja o paradoxo) ganhando meio milhão de reais por mês - admirado por um mundo de gente racista e/ou não.
Quanta gente boba.
Em tempo: nem sei por que falei disso - não gosto de temas em massacrante voga. E olha que eu nem assisto à TV.