segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ela

Perigosa e redentora esperança...
A alma suturada, as cicatrizes em caminho contrário, abrem-se em flor.
Retalhos fazem-se homogêneos, permitindo  ao corpo anímico a volta a sua ereta postura.
Opção única, que não tenha sua morte ornamenta com  cicatrizações em caminho correto.
Esperança...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Aborto, Eutanásia e Sacrifício

Acordei topetudo e quero escrever sobre temas religiosamente controversos, que envolvem sadismo, amor egoísta e invasão; e como eu, digamos, estou evacuando para religiões, o farei.
Comecemos pelo aborto: a legislação favorece a grávida quando vítima de estupro, mas - salvo engano, acho que só nesse caso. Quanto a crianças que só nascerão para morrer logo em seguida eu não sei como andam as leis. Para a igreja todos devem nascer, nem que seja para a mãe fazer uma selfie com o bebê que logo será enterrado num caixãozinho hermético do tamanho da caixa do sapato que ela usará no enterro.
Sadismo puro.
Em suma, quem deveria decidir sobre isso é a prenha.
Pílulas do dia seguinte e doenças incuráveis e gravemente (disse gravemente - uma paraplegia é triste, mas não aborta a dignidade, não impede o sucesso - até mesmo esportivo!) sequelantes: enquanto o filho for um girino, no início da gestação, não vejo problemas em a mãe decidir poupar-se e poupá-lo da vida que já é dura com tudo "certinho".
Agora, quanto as marias-abrem-pernas, que doam ou alugam a genitália amiúde, sortida e frequentemente e não se cuidam durante o ato ou no dia seguinte, desejo guilhotina às que pensam em abortar.
Não faça isso, menina: pense nas bolsas que o Estado oferece.
Eutanásia: somos (devemos ser) soberanos sobre nossos corpos; portanto serei conciso: sou a favor da eutanásia mesmo que o doente nem doente esteja.
Sacrifícios (animais de estimação): Dói bastante você chamar um veterinário para injetar um veneno letal em quem te deu tanto amor, mas se não há dignidade - só dor e sofrimento, um exemplo: minha rottweiller ficou quase um mês (por conta de um A.V.C. que a fez desaprender tudo) sem tomar água sozinha, sem comer sozinha, sem deitar sozinha, salvo quando caía de exaustão, vegetando, secando..., eu enfia comida e água em sua boca, com minhas mãos eu mastigava por ela, mas ela secou, no final não aguentei e chamei o bom carrasco - portanto se não há dignidade, que venha o fim.
Outro exemplo: Um cavalo que se lesiona e não serve mais para o trabalho - que sacrifiquem o dono que pensar em sacrificá-lo.
A vida é um milagre efêmero, a morte é um milagre infinito.

domingo, 20 de julho de 2014

Êxodos

As ausências..., dos que já se foram, dos que aqui estão, dos que nem chegaram, dos que não chegarão.
Todos somos órfãos, crianças no escuro tateando o colchão em busca de um pedacinho do corpo do pai. É sempre noite onde estamos quando metafísicos, como somos.
As presenças realmente importantes são raras, efêmeras, perecíveis. Em um minuto podem transformarem-se em partida.
Aproveitemo-nos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Flor

Clarinha, tez alva que até um delicado toque carinhoso cunharia lividez.
Se o branco é a soma de todas as cores, todas elas desapareceram. É o acaso labutando contra? Ou a favor? Cercear o impossível é mais doído que apenas vislumbrá-lo.
Mas o olhos... Hipnotizam a ponto de nunca lembrarmos a cor de sua delicada claridade; sim, são claros - disso eu lembro. 
Sensibilidade emocional vestida com a mais adequada delicadeza física. 
Se a conheço? - mal e suspeito como a mim mesmo. Se a desejo? - mais do que todos os amanheceres. 
Se ela saberá? - somente com muita perspicácia. Das cicatrizes emocionais, os queloides concentram-se na alma - diminuta por enrugamento. 
O que me consola é saber que vê-la não quer dizer que exista. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

11/07/2014

[De 27/01/2011] 

Agora, respeito qualquer dos meus sentimentos
Quero dormir com o medo, oscular meus receios 
Saudade carnal tenho da angústia, ah, angústia...
Visto-me de preguiça para suportar a labuta

Acalento meus vícios, os quero bem tratados
Cantarolo o meu ódio em sublimes quiálteras
Divido o mundo graças ao meu onipresente ciúme
Tomo-o de volta respeitando minha generosidade

Conto miríades de minutos para ser enganado
Banho-me num oceano etílico para voltar à sobriedade
Purifico meus pulmões com seguidos charutos

Sim, frio. Temo a ressaca de um bom enredo
Preciso de arrogância para ser respeitoso
Dou agora o gole final do meu leite azedo.

Ventre

Vejo novos pais. Amigos, familiares, familiares de familiares... 
Sou pai desde 06/05/2007 - meu filho era bem pequeno, um bebê, quando eu e sua mãe nos separamos. Mas pude vivenciar tudo o que poderia ter vivenciado. Sim, passei madrugadas embalando carrinho com as pernas, preparando mamadeira, trocando fraldas... Sozinhos (eu estava afastado de minha família na época), eu e ele (e uma cachorrada de mais ou menos 9 componentes). Não tive o azar dos que cujas ex-mulheres fazem do filho um meio de chantagear, castigar. Sempre pude estar por perto, e estive. Estou. 
Que os novos pais permaneçam perto das mães, mas se não der: seja um pouco ela. Cuide sozinho, combine, alterne noites... Passa rápido, muito.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Contradições Quarentenárias

O orgulho: de nunca ter entrelaçado corpos sem beijos, de nunca ter pago por sexo, de nunca ter dito "eu te amo" sem ao menos achar que era verdadeiro.
Engraçado, sou mais homem quando menos macho - e bicho quando mais penso.
Como já disse em outro texto: sou capaz de até mesmo ser eu.