quarta-feira, 11 de julho de 2012

Na Verdade Tudo Esconde...

Por fazer parte deles, dedico atenção especial ao comportamento de blindagem ativa que alguns tímidos assumem. Tal “personalidade” não permite, assim odiando quando acontece, qualquer tipo de surpresa. Não sei dizer se trata-se da maioria, mas grande parte dos tímidos costuma irromper qualquer local e momento a que se sujeitam – sendo criadores e mantenedores do “foco”, dirigindo-o como um diretor faz com uma peça teatral - evitam que alguém ou alguma situação se aposse do momento e o “devore”, desprevenido, com a faminta e enorme mandíbula do desconcerto casual. O momento da encabulação é a representação do inferno para uma pessoa tímida – para evitá-lo valem as mais “desavergonhadas” atitudes, paradoxo simples de ser compreendido: sendo o dono da situação e frequentando o pico da extroversão, dificilmente os olhares e assuntos em voga sairão de seu controle. Vale a pena separarmos os tímidos dos inseguros, a autoestima (juro que não entendo este termo, já que está diretamente relacionado à estima que outrem nos dispensa) em dia é fator decisivo para o sucesso, ou não, da manobra inteligente de uma pessoa tímida impôr, de nuca ereta, suas personalidades e ideias. Em suma: nada melhor a um tímido do que as arrogância e liderança, que de certa maneira estão inevitavelmente ligadas; bom, isso desde que se deixe a hipocrisia de lado. Uma dica: é mais fácil achar um tímido chamando a atenção com suas inteligência e irreverência do que de pernas cruzadas aguardando sua vez de falar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Cada Vez Menos

Dia oito de julho do ano de dois mil e doze (ainda nos resta a esperança de tudo acabar antes da próxima "virada"), domingo, dia oficial do ócio, resolvi me maltratar lendo um livro com a TV ligada no "Domingão do Faustão". Não esperava que o castigo seria tão doloroso: primeiro me entra, comemorando o próprio aniversário, um grupo de pagode que ditou moda (estilos surreais de vestimentas) e conseguiu acabar com o que o Samba tinha de bom (ontologicamente falando), deixando um legado que nos atormenta até hoje; mas isso não foi nada - numa manobra de "marketing" muito explícita, começam a entrar famosos (fazer o quê?) "artistas" tão ruins quanto como se fossem "fãs" e amigos de longa data. Até que, a punhalada final, entrou o "maior artista brasileiro reconhecido mundialmente", segundo o apresentador (e o pior é que no momento ele tem razão): Michel Teló. A tentativa de dueto em terças com o "excepcional" cantor Luís Carlos provou-me que o nojo que sinto não é só mera implicância. Realmente, eu subestimei a capacidade humana de involuir. Em tempo: ainda bem que no mesmo domingo ainda assistiria o riquíssimo "Café Filosófico", na TV Cultura.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pesos e Medidas

Com a petulância que meus mais de trinta (pouco mais) permitem, vomito a ira que sinto quando preciso fazer-me de inferior para com pessoas incontestavelmente inferiores. Este meu manifesto não é um simples e raso desagrado para com “chefes” - mas, sim, uma coonestação da esquizofrenia que me é causada pelo poder que imbecis sobas detêm. O pragmatismo do ensino que não ensina (esse que nosso Brasil conhece bem) é o maior método de avaliação intelectual – pessoas são classificadas como inteligentes pelos absurdos que decoraram e/ou por postos que ocupam (de bocas fechadas) graças a algum apadrinhador. Tentando se adequar à imbecilidade, pessoas preparadas perdem algumas oportunidades; portanto, é melhor deixar claro que a incompatibilidade para com determinado cargo é causada pela extrema superioridade a ele e aos “superiores” que avaliam. Caso o cargo e o avaliador sejam muito para você, saia quieto como um guri borrado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vísceras

‎"Estranhamente acomodo-me no limbo de tua ausência; o inferno gelado da distância refrigera-me as assimétricas cicatrizes que o inverno escaldante de tua presença tatuou em minh'alma. Mais prazerosa é a solidão quando capazes somos de topar e reconhecer a nós mesmos. Qualquer vida, desde que seja a minha, é melhor do que a tua, do que a nossa... Não te digo que não há tua falta, mas que dela não abro mão. Enfim, só".

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Na Outra Ponta da Guia

Algumas ideias absurdamente inverossímeis custam a fazer com que as absorvamos de fato. Como já houve (mas nunca com tanto afinco) com cães das raças “Doberman”, “Rottweiler” e até mesmo com os policiais “Pastores Alemães” hoje o “Pit Bull” sofre grande discriminação por puro desconhecimento de causa, concisamente: por ignorância. Estatisticamente, “Poodles” mordem muito mais que todas as raças discriminadas juntas; mas pelo pequeno porte (raramente causam estragos consideráveis) e por não terem um “clã” de odiadores, raramente viram notícia. Qualquer cão pode morder e/ou manter (possuir) um temperamento agressivo – aí entra o dono e os profissionais do comportamento canino. O problema é que, para educar um cão, o dono precisa saber mais que ele... O ocaso encontra-se na outra ponta da guia. As pessoas costumam achar lindo um cão de pequeno porte mordendo os pés dos visitantes, mas um cão marginalizado (entre eles o Pit Bull) não pode nem rosnar para defender seu alimento ou território. Qualquer cão merece respeito, se ele for forte chega a ser burrice desrespeitá-lo. Agora, uma pequena digressão (que nem é tão digressa assim): abomino as pessoas que deixam seus cães soltos nas ruas correndo atrás de carros e avançando em cães que passam de coleira com seus donos. Vira e mexe, o meu “Pit Bull”, assim como o meu “Bull Terrier” são atacados. Não reagem, mas mesmo se quisessem, a focinheira impediria. Peço de coração que os donos de cães mantenham-nos em casa e passeiem com eles. Além de perigoso para o cão, é perigoso e mal educado para com os transeuntes e motoristas. Dar “comidinha e água” e depois largar o dia todo na rua é fácil. Bom, voltemos aos “assassinos”. Agora há até projetos de lei querendo extinguir algumas raças – projetos simplesmente vis e absurdos. Creio que o insucesso é garantido. Tenho muito mais o que escrever, mas para que todos leiam meu texto (esse eu faço questão, por motivos solidários) quero terminar com um pedido: quem for dono de um desses cães “discriminados”, por favor, coloquem a guia mais a focinheira e saia ostentando a beleza, o controle e a educação do seu amigo. Tchau-au-au.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Dedo na Garganta

Anda quase que insuportável viver esse modismo (espero que muito breve) do politicamente correto. Agora, querem que a lei interfira no paradoxalmente saudável comportamento maldoso das crianças – não faço apologia ao “bullyng” (como é boba essa mania de “extrangeirizar” tudo), apenas acho que as maldades pueris devem ser combatidas em casa e na escola. E que se a lei interferir no aprendizado prático da vida, criminalizando deboches e exclusões (naturais desde que o mundo é mundo), terá que descriminalizar todo o mau comportamento adulto. Me preocupa o fato de meu filho chamar um gordo de “gordo” e virar meliante. Da mesma maneira que temo que alguém vire bandido ao chamar meu filho de branquelo. Quanta bobagem. As pessoas querem segurança, isso é ontológico; mas no mesmo nível querem liberdade. Essa “segurança” de deixar tudo para a justiça resolver (cômodo, também, não?) aprisiona. Querem que os problemas mais íntimos sejam resolvidos por leis – querem se meter em nossas casas, em resumo. A segurança está em um polo e a liberdade em outro – aproximando-se de um, afasta-se do outro. Nossos descontentamentos com o casamento ou com a “solteirice” retratam bem essa filosofia. Preciso vomitar.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dois

As manhãs voltam a ter cor; os poemas, a fazer sentido. Não que eu seja um romântico; não acredito no amor inabalável independentemente das circunstâncias sociais/culturais. Embora eu seja de certo modo “machista” (na minha filosofia, a interpretação mais próxima a esse termo é “realista”), não é só por isso que acho que o homem tem que ser “darwinianamente” forte – e a evolução da força é um conjunto de vários outros adjetivos. Pergunte para uma mulher inteligente e, principalmente, que possa ser com você sincera e ela te reponderá que as qualidades que espera de um homem, por mais que acabem sendo as mesmas do “blábláblá” de sempre, estão numa ordem muito diferente. Não sou tolo de acreditar que elas não querem carinho, atenção, sensibilidade, inteligência... (felizmente, as mulheres são capazes de erotizar nossa inteligência) – ou seja: o afeto é uma das pernas do tripé da autoestima. Mas só uma. E é da autoestima (que preferiria chamar de segurança, mesmo porque autoestima nada tem de “auto” - já que é diretamente ligada à opinião que outrem dispensa para com a gente) que um homem que deseja ser amado precisa. Só para elucidar brevemente (já falei disso em outros textos), as outras pernas do “tripé” são saúde e dinheiro. Um homem saudável, bem sucedido e que receba doses suficientes de sexo e carinho é um homem seguro – com um enorme potencial para se tornar um “amado”. Mas meu texto até agora só tem uma frase, a primeira. O restante é uma breve digressão elucidativa para deixar claro que não se trata de um texto meramente apaixonado – faço o que posso para manter erguido o tripé – o que nem sempre funciona.. Mas, voltando ao texto... A segurança de saber-se “de alguém” desacorrenta da liberdade que prende. Bons momentos são os divididos. A saudade que será suprimida é prazerosa e excitante. Até as chateações moderadas e inevitáveis são de certo modo desejadas. É bom viver um amor real. “Bons dias” - “boas noites” - “saudades” e “te amos” são o contrário das inconveniências publicitárias que invadem nossos meios de comunicação. Já que como ser humano isso é impossível, é muito bom não sentir-se sozinho como homem.