Por diversos motivos (trabalho, relações amorosas, preguiça, etc.), rompemos com atividades que nos fazem bem, nos desligam do mundo exterior, elevam nossa autoestima. Filosoficamente traduzindo, atividades que têm “significado”.
Contrariando o que dizem muitos especialistas, quando, o que é inevitável, sofremos dos males triviais do mundo como ansiedade, angústia, depressão, vícios químicos, dores de cotovelo e demais
infortúnios, devemos mergulhar nessas atividades e não “afetarmo-nos” em propostas novas, o que significaria o mesmo desespero já vivido.
É claro que existem novas propostas com “significado em potencial”, mas aí dependerá de reflexão (não muita) e foco.
Quem não viveu não imagina a delícia que é retomar uma atividade concretamente prazerosa (cujo prazer prolonga-se após seu término, fazendo “um bem” inestimável), tais como retomar o seu esporte existencial (termo meu com significado óbvio, não explicarei), reencontrar pessoas com quem realmente se preocupa (só a preocupação é capaz de provar o verdadeiro amor), revisitar lugares onde de fato você gosta de estar...
Reparam como as pessoas tendem a usar o tempo, ou melhor: a falta dele como desculpa para serem infelizes?
Qualquer pessoa tem capacidade de reservar um tempo para teus significados, até as mais “ocupadas”, que na verdade são mais neuróticas do que “sem tempo”.
Especificamente falando de esportes, eu concordo plenamente quando o filósofo Fábio de Melo diz que cuidando do corpo também cuidamos da alma, o que de maneira diferente já dizia o preparador físico Nuno Cobra em seu livro “Semente da Vitória”. Cuidar da morada efêmera de nossa alma é a ferramenta mais eficaz para alcançar a alta autoestima, o que, sem dúvida, é básico para uma existência harmônica.
Sentir-se bem não é inevitavelmente ligado à estética, não creio que todos devam ser “Giseles” ou “Gianecchinis”, mas que todos devem sentir-se saudáveis, ou seja, efetivamente vivos, isso eu afirmo com toda a minha não tão ínfima certeza.
Mas como esse texto não é propriamente sobre autoestima, e esporte para alguns não tem significado algum, quero terminar pedindo que todos façam o que lhes faz bem, acompanhados de pessoas que lhes trazem prazer e em lugares que realmente gostariam de estar. Quem sabe assim não fiquem tão chatos (deprimidos ou otimistas em excesso) e tornem meu mundo mais prazerosamente habitável?
Partir da mediocridade ao conhecimento não mais é oportunidade, é dever.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Não penso, logo existo
Conflitos existenciais são, ao mesmo tempo, inevitavelmente intrínsecos e venenosos à vida cotidiana. Agonia propõe hesitações, sendo essas geradoras de fracassos e consequentemente culpa. Nada como uma, mesmo quando não coerente, culpa para fazer-nos ininterruptamente infelizes.
É muito fácil fracassar em um mundo, leia como “estilo de vida”, totalmente em desacordo com sua “natureza”, e, cruelmente, é muito difícil (mas indiscutivelmente necessário) digladiar diariamente contra sua essência em busca de uma vida “digna”.
Para algumas pessoas tudo vai bem quando vai “como sempre”. Férias, Natal, Carnaval, décimo terceiro salário são sinônimos de “cultura e liberdade” para essa grande massa de afetados, porém, indiscutivelmente, mais realizados e “felizes” que pessoas instruídas que levam algumas décadas para aceitar que não é a vida que tem que se adaptar às grandes almas. O inverso é a verdade.
O amor ao saber, sim, a Filosofia, é um grande aliado quando nos vemos obrigados a abrir mão de convicções (nem sempre tão convictas) em nome de uma “felicidade” trivial.
Sentir-se “normal” é o diagnóstico preciso de uma pessoa que, alienadamente ou não, se sente feliz e de acordo com a vida. E é aqui que volto ao que, precisamente, dizia no primeiro parágrafo desse ensaio, hesitar sobre coisa tão importante como seus próximos anos de vida é uma atitude negadora, que pode ter como conseqüência uma vida toda de culpa.
O “foco” (de tão usada ultimamente acho essa palavra muito brega) é, simploriamente falando, o grande segredo do sucesso e da normalidade necessária para sentir-se parte funcional desse grupo.
E quando o grupo é uma família?
Culturalmente e adaptado aos dias de hoje, um grupo familiar é formado por um homem, inevitavelmente, provedor; uma mulher independente e filhos estudantes. E o homem é o único que em nada pode mudar seu papel. O tripé da auto-estima masculina tem como base saúde, afeto e grana, faltando algum desses itens fica fácil cair, e quando o que falta é grana fica fácil ter amputadas as outras duas pernas que mantém sua auto-estima “em pé”.
Você vai hesitar?
É muito fácil fracassar em um mundo, leia como “estilo de vida”, totalmente em desacordo com sua “natureza”, e, cruelmente, é muito difícil (mas indiscutivelmente necessário) digladiar diariamente contra sua essência em busca de uma vida “digna”.
Para algumas pessoas tudo vai bem quando vai “como sempre”. Férias, Natal, Carnaval, décimo terceiro salário são sinônimos de “cultura e liberdade” para essa grande massa de afetados, porém, indiscutivelmente, mais realizados e “felizes” que pessoas instruídas que levam algumas décadas para aceitar que não é a vida que tem que se adaptar às grandes almas. O inverso é a verdade.
O amor ao saber, sim, a Filosofia, é um grande aliado quando nos vemos obrigados a abrir mão de convicções (nem sempre tão convictas) em nome de uma “felicidade” trivial.
Sentir-se “normal” é o diagnóstico preciso de uma pessoa que, alienadamente ou não, se sente feliz e de acordo com a vida. E é aqui que volto ao que, precisamente, dizia no primeiro parágrafo desse ensaio, hesitar sobre coisa tão importante como seus próximos anos de vida é uma atitude negadora, que pode ter como conseqüência uma vida toda de culpa.
O “foco” (de tão usada ultimamente acho essa palavra muito brega) é, simploriamente falando, o grande segredo do sucesso e da normalidade necessária para sentir-se parte funcional desse grupo.
E quando o grupo é uma família?
Culturalmente e adaptado aos dias de hoje, um grupo familiar é formado por um homem, inevitavelmente, provedor; uma mulher independente e filhos estudantes. E o homem é o único que em nada pode mudar seu papel. O tripé da auto-estima masculina tem como base saúde, afeto e grana, faltando algum desses itens fica fácil cair, e quando o que falta é grana fica fácil ter amputadas as outras duas pernas que mantém sua auto-estima “em pé”.
Você vai hesitar?
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
An meinen Sohn Johan
Sentirás que esse amor é único, não há modismo nem cotidiano capaz de cerrá-lo, não há como trocá-lo, e, fundamentalmente, não há como deixá-lo de lado nem por um único segundo. Embora atarefado, sempre estarás com parte de teus pensamentos nele, mesmo que não percebas.
Dependerás do contato com tua pele, a abstinência de tua presença causará medos, angústias, tremores... Dependerás de sua voz, mesmo que com palavras pouco compreensíveis.
Você jamais será o mesmo, jamais, por mais espiritualmente esclarecido que sejas, fará algo pensando
só em você sem vivenciar um velado sentimento de culpa.
Tentarás ser uma pessoa mais séria, mais adulta. Mesmo com frustrações amiúde, não desistirás.
Não consegues mais imaginar um futuro sem ele sob tuas asas, mas também sabes que esse dia chegará. Viverás o medo da morte que nunca sentira, o medo da dor que nunca o preocupara. Diante de teus olhos, ele crescerá rápido, mas nunca o bastante para tornar-se um adulto. Serás feito de bobo, ou, no mínimo, fingirás apenas para agradá-lo. Perceberás que a educação que lhe parecia tão simples para com terceiros é, sim, um bicho de sete cabeças. Perceberás que dependes muito mais dele do que ele de você. Seja o pai que almejas, ele será teu filho amado de qualquer forma.
Dependerás do contato com tua pele, a abstinência de tua presença causará medos, angústias, tremores... Dependerás de sua voz, mesmo que com palavras pouco compreensíveis.
Você jamais será o mesmo, jamais, por mais espiritualmente esclarecido que sejas, fará algo pensando
só em você sem vivenciar um velado sentimento de culpa.
Tentarás ser uma pessoa mais séria, mais adulta. Mesmo com frustrações amiúde, não desistirás.
Não consegues mais imaginar um futuro sem ele sob tuas asas, mas também sabes que esse dia chegará. Viverás o medo da morte que nunca sentira, o medo da dor que nunca o preocupara. Diante de teus olhos, ele crescerá rápido, mas nunca o bastante para tornar-se um adulto. Serás feito de bobo, ou, no mínimo, fingirás apenas para agradá-lo. Perceberás que a educação que lhe parecia tão simples para com terceiros é, sim, um bicho de sete cabeças. Perceberás que dependes muito mais dele do que ele de você. Seja o pai que almejas, ele será teu filho amado de qualquer forma.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Empíricas e Plenas Verdades sobre a Paixão.
A paixão... Que poder exerce sobre nossa essência, não?
A paixão não anda só: amigos fiéis são o ciúme e a carência. Juntos têm o poder de voltar a tempos remotos, de ressuscitar mortos.
Fisiognomistas* chegariam à conclusão de que incuráveis loucos são os apaixonados. Sim, a paixão transforma tua face.
Mas a convivência é uma vacina contra esse mal tão prazeroso, ou melhor: um atenuante. Afinal, o que é o amor se não uma paixão domada, branda, cognitiva? Conversa tola essa de que se quer o amor feliz mesmo que longe. Amor é próximo, é justo. Amor se prova nos almoços, nos telefonemas, na cama... Leniente paixão é o amor.
Inimigas mortais são Solidão e Paixão. Quando no estágio da paixão propriamente dita, antes da suavidade cotidiana, pessoa alguma quer ficar só. Nem por um simples giro do ponteiro grande do relógio, esse que leva séculos pra se completar. Uma pessoa apaixonada quer devorar, gerar e parir seu parceiro.
Mas se a convivência trouxer anexo a brandura o respeito, a Solidão passa a coexistir pacificamente. Sadia solidão essa que traz a certeza do amado sempre por perto.
Em tese: Paixão boa é paixão velha, ou seja: amor.
* Cientistas que estudavam a personalidade de acordo com a fisionomia das pessoas.
A paixão não anda só: amigos fiéis são o ciúme e a carência. Juntos têm o poder de voltar a tempos remotos, de ressuscitar mortos.
Fisiognomistas* chegariam à conclusão de que incuráveis loucos são os apaixonados. Sim, a paixão transforma tua face.
Mas a convivência é uma vacina contra esse mal tão prazeroso, ou melhor: um atenuante. Afinal, o que é o amor se não uma paixão domada, branda, cognitiva? Conversa tola essa de que se quer o amor feliz mesmo que longe. Amor é próximo, é justo. Amor se prova nos almoços, nos telefonemas, na cama... Leniente paixão é o amor.
Inimigas mortais são Solidão e Paixão. Quando no estágio da paixão propriamente dita, antes da suavidade cotidiana, pessoa alguma quer ficar só. Nem por um simples giro do ponteiro grande do relógio, esse que leva séculos pra se completar. Uma pessoa apaixonada quer devorar, gerar e parir seu parceiro.
Mas se a convivência trouxer anexo a brandura o respeito, a Solidão passa a coexistir pacificamente. Sadia solidão essa que traz a certeza do amado sempre por perto.
Em tese: Paixão boa é paixão velha, ou seja: amor.
* Cientistas que estudavam a personalidade de acordo com a fisionomia das pessoas.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Eis Eauton

Sujeito complexo e pétreo, ele mutila sua verdade para disfarçar sua arrogância. Sua busca bem sucedida por conhecimento lhe concede um poder politicamente incorreto, e extremista, de classificar as pessoas como inteligentes ou idiotas. Mas o que é ser politicamente correto? Hipócrita!!! É o que responderia.
Não tolera pessoas tolas, não suporta conversar com pessoas cujas hermenêuticas equivocadas (tontas ou falsas) não permitem a real compreensão de seu discurso.
Odeia quem lhe rouba a solidão e não lhe dá nada em troca. Aliás, nada vale o preço de sua solidão que, em alguns momentos, é seu bem mais precioso.
Sujeito complexo e sensível, ele mutila sua verdade para disfarçar seu amor. Sua busca bem sucedida por conhecimento lhe concede um poder politicamente correto, e justo, de classificar as pessoas como iguais. Mas o que é ser politicamente correto?
Leniência... É o que responderia...
... Ama quem lhe rouba a solidão e lhe dá afeto em troca. Aliás, nada vale o preço da presença de quem, a todo e qualquer instante, é seu bem mais precioso.
“Ecce homo” (Eis o homem): maniqueista sem religião, monstro sem cabeça, anjo sem asas...
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Agon

Chovia muito. Eu e Nádia acabávamos de discutir, decidi caminhar...
Minha capa me protegia da chuva, mas não da agonia. Após um hermético encharque, sequei as mãos num lenço, que, por higiene ou algum transtorno, tinha o hábito de carregar dentro de um saco plástico, e saquei meu telefone que, por motivos óbvios, estava em outro.
Liguei para Eugênio, amigo de poucas palavras, mas de muitas letras; disse-lhe que queria me separar e, também, queria sua companhia numa viagem pela América do Sul.
- Não quero.
- Mas por quê?
- Gosto de minha cidade e uma viagem dessas é muito cara.
- E se eu pagar todas as despesas?
- Não.
- Por quê?
- Por que será caro e inócuo para você.
- Como assim???
- Marcos, você pode sair de sua cidade, mas não de você mesmo.
Lembrei-me porque tinha ligado logo pra ele...
Achei que a distância seria o antídoto para toda dúvida que carregava, mas Eugênio logo me persuadiu passivamente. Era um bom amigo. Bom amigo é aquele que, em feitas sérias, fala pouco.
Com a consciência de que eu não evitaria conflitos e sofrimentos, que vivê-los era iminente, sentei-me à guia e fiquei namorando o rio que passava ao rodapé.
Às vezes é pueril procurar o “lado bom” de uma situação ruim, mas não foi assim dessa vez...
Cheguei à conclusão de que o maior instrumento para o crescimento não é o amor, é a agonia.
Conflitos nos fazem decidir; certezas nos paralisam. Perguntas nos movem; respostas, simplesmente, não existem. E fiquei enaltecido quando percebi que o presente é o Deus do cronos, que em um passo eu já tinha vivido passado, presente e futuro, e, inevitavelmente, voltado ao presente.
Sutil torna-se a agonia quando deixamos de imaginar o que será. E o que é, ninguém sabe.
Mais uma vez o acaso se provou onipotente e onipresente.
Voltei para casa.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O outro
Minha solidão fica só quando você se achega de mim. Certas feitas, ela caminha de mansinho em nossa direção; um único olhar ofertado a ti é o bastante para que fiquemos novamente a sós . Eu, você e nós. É, minha flor, nesse momento de desarme, entrego-te a verdade: eu só consigo viver a três. O Nós me fortalece, e sabes que preciso de ti para encontrá-lo. Nunca tinha-o visto até experimentar teu beijo. Ele me permite ser dono de mim, ser eu em minha essência, em minhas verdades torrenciais... Confesso que a Solidão também tem comigo esse zelo, mas com o Nós tudo perde aquele tom acinzentado. Teus seios enlouquecem, teu cheiro entorpece, e ele, o Nós, se faz uma espécie de deus ardentemente desejoso, tranquilizando-se apenas após a explosão de nossos desejos, momento em que desmoronas-te em cima de mim.
Estou feliz por ele estar freqüentando mais as nossas vidas, assim eu consigo ser eu e você, você.
Estou feliz por ele estar freqüentando mais as nossas vidas, assim eu consigo ser eu e você, você.
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