terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um Pouco de Melancolia

Vivi teu luto, dividi-a com a terra e agora tento, com carinho, não guardar o pouco de melhor que me dera. Precisei dar-te um corpo, etérea você me cercava, me envolvia... É, Paixão, vestindo-se de libido e despindo-se em lascívia fez de mim uma medíocre morada. Aceitar tua morte foi o mais duro e claudicante passo que eu dei; nos sonhos, onde você ainda vive, meu coração bate em quiálteras – diferentemente das longas semibreves que se arrastam quando desperto. Faz-me falta por tão ruim ter sido, dos prazeres não quero nem lembrar. Enfim, querida, sem fé ou alegrias, espero te não encontrar – seja num limbo, seja no mais macio pedaço do firmamento.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

De Dentro (A Ferrugem Educacional)

“Livros, jornais e internet já haviam me contado, teoricamente, o que venho aqui tratar.” Em uma tríade de meses conheci muitos lugares hostis, pessoas invejosas e toscas, histórias familiares que jamais deveriam ser escritas – conheci algumas escolas. Antes da ontologia educacional, concisamente, vou tratar de um número que serve de foto 3X4 da realidade “Al Qaeda” do ensino que oferecem aos vossos pequenos rebentos: todas as salas-de-aulas da rede municipal de ensino têm dois ventiladores , destes, menos de 5% funcionam. Agora, a parte “humana”(?): pessoas despreparadas, e não só tecnicamente, formam um enxame de abelhas-pombo que cagam na cabeça de seres que possuem criatividade incontestável – aniquilada pelo sistema corrosivo que é a educação em seu mais amplo sentido. Os sobas (diretores) também são inúteis, porém um pouco (bem pouco) melhor remunerados – mas os funcionários da educação, na maior parte, merecem o desrespeito e a má remuneração que recebem – e as crianças, muitas sem pai nem mãe, são Ferraris sem freio; sem contar a tendência “banditismo”, que está na moda e consideram bonito. E há o lixo cultural que é oferecido pelos professores, que, salvo exceções, não conhecem algo melhor. E os discursos inclusivos? Caro amigo, há alguma inclusão em matricular um aluno totalmente cego e deixá-lo dormindo sobre os braços durante todas as aulas? É um exemplo, apenas um, mas dos que mais me revoltaram. Na Finlândia, onde a educação é referência para o mundo, há o que chamam de “Exclusão Positiva” – dentro da sala de aula, junto aos colegas, há um pequeno grupo de crianças que possuem dificuldades especialmente acompanhado por professores especializados. E é claro que são mestres bem treinados que fazem de maneira que não marginaliza os diferentes, fazendo com que o respeito impere. E só uma nota: antes de entrar na faculdade, as crianças que participaram de todo o caminho escolar “especial” estão aptas e preparadas tanto quanto as que não viveram alguma dificuldade – concorrendo (e sendo) de igual para igual. Infelizmente, estamos para a Finlândia tanto quanto o lado direito está para o esquerdo. Confesso que por preguiça e mal-estar vou parando de escrever por aqui – mas haverá uma continuação. Com efeito, pensem bem antes de jogar sua prole numa creche minada camuflada de escola. Em tempo: há pessoas que valem a pena e trabalham com afinco e inteligência – procure por elas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Bunda Pessoal e Intransferível

Os critérios são plenamente equivocados, mas, em essência, a “meritocracia” é sensata e justa. Como não existe nivelamento para talento, creio que é correto avaliar o empenho. Estava lendo sobre a celeuma de cotas para estudantes que saem do público ensino médio rumo à universidade – que idiotice. Ao invés de melhorar a qualidade do ensino “gratuito” e, assim, igualar as chances, fazem piorar o ensino universitário nivelando por baixo. Sem contar a “malandragem” de muito vagabundo burro - dá para imaginar o quão aproveitável serão as cotas para seres “água-de-salsicha”? A educação faliu, sabemos disso, mas há um porão no fundo do poço – sempre. Uma pessoa pobre que queira entrar numa boa universidade deve se empenhar muito, mérito que será aniquilado com a “justiça” cotista. Mas para não contar com hipóteses, é melhor, caso você ainda tenha uma bunda, sentar e estudar muito.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pecado Capital

Vou contar um segredo (paradoxalmente explícito) em forma de medusa - a miríade de cabeças confunde, mas não encobre a causa única. Caro amigo, você sabe por que as crianças (meninas) se "arrumam" tanto? Sabe por que crianças e adolescentes jogam (videogame) e navegam tanto? E por que têm tantas atividades extracurriculares, você sabe? Poderia "engrossar" este caldo, ou melhor: "post," com várias interrogativas acerca do vil assassinato da infância, mas vou logo à essência. Preguiça! É, amigos, "desovar" as crianças em "creches temáticas" (desculpem-me os empresários dos ramos que mencionarei, mas uma criança de cinco anos precisa é brincar), como inglês, informática, esportes sem significado (o que a criança faz por "obrigação" sem se divertir nadinha), etc., é a melhor maneira de fugir da responsabilidade de educar e de se divertir ao lado de seu rebento coonestando a suja praticidade da terceirização da criação. A própria escola regulamentar virou uma creche temática, aprender (e ensinar) é o que menos importa. Vale ressaltar os poucos, bons e obstinados professores que fazem seu trabalho como devem. "Mamãe, posso me maquiar?" Claro que pode, desde que não perturbe a mãe com sua existência lúdica e divertida, pode tudo. Meu Deus, enlouqueceram todos? Para que uma menina deve ser mulher (e muitas vezes, vulgar) antes de sua natureza ditar? Um joelho ralado, em uma criança, a embeleza muito mais do que um batom. Há outro lado nessa "cabeça": os pais projetam-se nos filhos, ostentam a beleza (artificial) com afinco; ou seja: produzindo a filhinha, o que menos importa é ela mesma. A tal da carência... O game e a internet funcionam como prisão voluntária: tranquem-se no seus quartos e nos deixem em paz. Não é? Meu povo, criemos nossos filhos: eles adoram limites e atenção. Cinco minutos com você valem muito mais do que três horas de "XBox". Se seu filho (criança) não pensa assim, você já vem errando há algum tempo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pois Chorando Eu Vejo...

Queixo-me às rosas, onde está a melancolia que tanto enobrece a função primeira de uma boa história contada em versos e melodias, as canções brasileiras, que é a de sensibilizar e entorpecer? Onde estão os pais compositores que ao perceberem o desencaminhamento moral/sexual de suas filhas avisam que à beira de um abismo cavado por seus próprios pés elas se encontram? E os detalhes pequenos que são coisas muito grandes para esquecer? E a tristeza que não tem fim, diferentemente da felicidade? Percebo, infelizmente, que com tamanha celeuma de bobagens “felizes”, nós, os pensantes, tomamos no “tchu”. Aviso que o “felizes” está entre aspas pelo fato de não existir real felicidade sem inteligência e conhecimento. Alienação, por mais que camuflada de um alegre carnaval, é triste. O culto global à alegria burra é um dos piores capítulos sendo escritos na história “evolutiva” da humanidade. Rimar “ai, ai” com “papai” ofende a todos, sem exceção, que conheceram, por exemplo, o poetinha “Vinicius de Moraes”. Já escrevi sobre “arte versus entretenimento”, mas o entretenimento está cada vez mais “feliz” e burro - conseguiram associar porcarias culturais com pornografia, com falta de compostura, com sexo tosco, com desamor. O "belo", hoje, em muitas searas, é ser “vagabunda”, “burra”, “bandida”. Pobres mulheres, essas não percebem o quão desinteressantes se tornam. Uma variação de masturbação. Que um dia meu filho conheça uma mulher de verdade: sensível, inteligente, educada, culta e bela. Eu quase que já desisti.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Limbo

No final das contas, como diz o escritor João Ubaldo Ribeiro, o que nos mantém vivos é a esperança. Sem ela, já morremos em alma, daí para servirmos de alimentos a vermes é um passo. É intrigante saber que para sobreviver precisamos, ao mesmo tempo, “esperar” e aceitar o que não pode ser mudado. Precisamos velar nossas impossibilidades e, logo depois, enterrá-las. Perder qualquer esperança burra (uma analogia radical, ácida, seca e elucidativa: um amputado coxofemoral não vai esperar que como cauda de lagartixa sua perna renasça) é ser sabiamente esperançoso. Com a aceitação de um problema que não tem solução, voltamos a ter a inteligente esperança de que aprenderemos viver com nossas perdas e continuar respirando. A perda de um grande amor, por exemplo, se não aceita pode nos perecer bem mais rápido do que devemos. No amor, creio que se não nos aceitarmos derrotados e não assumirmos que perdemos, ficamos presos no presente torturante. Para pessoas como eu arrogantes, a derrota em qualquer aspecto é humilhante, por isso a necessidade de aceitarmos a morte (do “nós”) e enterrarmos seu “corpo” . Por mais tolo e otimista que pareça o clichê “Há vitória na derrota”, ele é verossímil e simplesmente profundo. Só vale deixar claro, no final deste breve ensaio, que a esperança só é sagrada se operante. De braços cruzados nos protegemos, no máximo, do frio.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Amor para "Inteligentinhos"

A vantagem da exposição midiática a que qualquer mortal, independentemente da “fama”, participa é que assim temos acesso ao talento (e principalmente a falta de) de que as pessoas dispõe. É lógico que é preciso equacionar a “felicidade publicada” com a “realidade praticada”, que são inversamente proporcionais. E isso vale para qualquer extremo virtual – menos os que retratam a fé, ou a falta de fé, burra, sem conhecimento, sem estudo; essas pessoas são mesmo superficiais. Mas, genuinamente, este texto trata da “ingenuidade” (entre aspas para se aproximar de “idiotice) que vejo nas manifestações de afeto. Primeiramente, acho (modéstia falsa, tenho certeza) que devemos assumir o que realmente nos move, qual o sentimento que realmente está forjando o nosso comportamento; ódio, por exemplo, muitas vezes nada mais é do que uma saudade imensa somada à não aceitação de um fim. Assim como o amor, banalizado, geralmente é resultado de uma quase patológica carência – que sem querer ser machista aplico à maioria das mulheres, mesmo as mais inteligentes; o diferencial é que estas últimas, veladamente, conhecem-na. Mas, vamos ao texto de fato. Acabo rindo de decepção ao perceber o fajuto jogo de sedução de alguns de minha espécie (considero, comportamentalmente, homem uma e mulher outra – e não trata-se de uma “guerras dos sexos” superficial; portanto, não me venham com “darwinismo” - pois desta água (Darwin) eu bebo muito antes de muitos terem nascido); a exposição de sentimentos bipolares, ou seja: a exposição da insegurança, é o que um homem não deve demonstrar de forma alguma. Já disse, baseado em “Pondé”, que o tripé da “autoestima” é composto por saúde, afeto e grana – e autoestima, no jogo de sedução, é segurança. Muito difícil manter as pernas deste tripé rígidas e inexoráveis, mas assumir uma postura “carente”, para um homem, é o fim. Mas aí vêm os de hermenêutica equivocada (eufemismo para “burros que não entende nada”) e corroem toda a inteligência da lógica do sucesso “alfa”. Na linguagem da maioria: é óbvio que uma “cagadinha” (indiferença) é mais do que necessária em uma conquista que pretende se edificar, mas “diarreia” (entenderam, claro) – indiferença total, caso funcione, será apenas com pessoas carentes em demasia. Não gosto da palavra “equilíbrio”, me dá uma sensação de “bundamolice” (termo que o roqueiro “Lobão” usa com frequência) – como diz o velho mais doido da literatura espiritualista (ou antiespiritualista), o “Osho”: “Quem está sempre do lado esquerdo, está errado; quem está sempre do lado direito, está errado; quem está sempre no meio, está morto” - a sedução é um jogo de surpresas e incertezas. Se você não conseguir ser você, com toda autonomia, com toda idiossincrasia, com todos os subjetivos defeitos e com toda a normal e necessária inflexibilidade (não total, oquei?), você não vai ser desejado por quem realmente desejas. Vai arrumar uma legião de desesperadas, no máximo. O mesmo acontece se você não conseguir interpretar teatralmente alguns carinhos. Como conquistar alguém se você se demonstra completamente dela (ou dele, isso não é problema meu)? Como conquistar uma mulher inteligente e desejada se você a ignora de vez? É meu amigo, não deixe para aprender quando teu corpo, sozinho, não mais cativar ninguém. O amor, o verdadeiro, vale a pena – mas desde que não o fira ontologicamente. Aprendeu?