quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sou

Liberto-me porque conheço o meu poder. Posso ser quem eu quiser: posso ser o sensível pianista, posso ser o forte lutador; posso ser um carinhoso amante, posso ser o cafajeste que as senhoritas odeiam amar... Posso até ser Napoleão, não castro a minha loucura. Minha alma é extensa o bastante para acolher cada um dos meus seres. Sou um ladrão de minhas ideias, mas um bom ladrão, uso-as. Atravesso diariamente uma espécie de ponte circular, sem extremos. Passeio por minhas calmarias e inquietações. Respeito o fato de ser o acidente mais complexo que o acaso criou. Posso ser até mesmo eu.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Protocolo

Com essa mania pela felicidade (que aliás é tola e concretamente falsa: se as pessoas exigissem a “felicidade plena” acima de qualquer coisa, todas viveriam drogadas), as pessoas acabam terceirizando sua própria vida para cumprir o protocolo do afeto. Explico.
É simples explicar o porquê de as redes sociais, principalmente as relacionadas a relacionamentos amorosos, expandirem-se de maneira avassaladora; toda pessoa que quer casar, mesmo sabendo que casamento é uma péssima, ter filhos (e amá-los) mesmo sabendo que é um trabalhão caro criar um ser humano, e cumprir demais protocolos está apenas desesperada pelo desejo de ser “normal”.
A receita é simples e o resultado é um bolo podre que iminentemente vai se esfarelar.
Vamos lá: Você encontra uma pessoa e, mesmo sem desejo algum, projeta sua vida nela. E é claro que nas primeiras semanas essa pessoa provará que é digna de ser para o “resto da vida”. Risadas.
Com o tempo ela se mostra na essência, com razão, pois ninguém aguenta um relacionamento “bonitinho” por muito tempo. Mas aí você já é dependente emocional desse ser, agora ele que é responsável por sua vida (e você pela dele), aí fica aquela “água de salsicha”, uma vida chata, sem espaço para a solidão tão necessária e cheia de guerras para provar quem manda. Mais risadas.
E quem é que manda??? Ninguém!!! “Por que no amor quem perde quase sempre ganha, veja só que coisa estranha, saia dessa se puder” - já dizia o genial Edu Lobo.
Há ainda, em casos mais extremos, os “sanguessugas” - que querem você presente, mas nada fazem pra merecer; roubam tua solidão, mas não lhe dão verdadeira companhia – ato condenado pelo grande filósofo "Nietzsche" – não te enxergam como pessoa, não te ajudam, não se preocupam. Querem um urso de pelúcia que faz sexo e leva café na cama.
Aconselho a leitura de "Quem me roubou de mim", de Fábio de Melo. Essas pessoas são os sequestradores de subjetividades – roubam você de você mesmo, afastando-te do que tem verdadeiro significado em sua vida.
Fica aqui um pouco de meu conhecimento adquirido pela leitura filosófica e mais ainda por minhas dezenas de experiências conjugais. Em especial, a última.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Espécies

Considero uma ignomínia a máxima “Somos todos iguais”.
Concordo que em essência o ser humano, qualquer um deles, é melancólico, carente, medroso e interesseiro, mas fora essas questões acerca do existencialismo existem pessoas inteligentes e também as vazias. Nada tão sonífero quanto um diálogo raso por falta de opção. Como diz uma pessoa por mim muito querida, precisamos de um tempo para amenidades, bobagens; mas são momentos específicos, como que para descansar a mente, uma conversa rasa por opção pode ser uma terapia. Mas voltando à realidade social, cultural e filosófica, pessoas ignorantes me cansam, principalmente as que ocupam altos cargos e formam discípulos à altura.
Pessoas rasas têm significados, ou horizonte de sentido, muito rasteiros. Me irrita a felicidade em que vivem tais pessoas, mas é sabido que só vivem a felicidade justamente por serem toscos e alienáveis; do contrário, saberiam que isso não existe. Não pensar é o único jeito de ser feliz.
O modismo (quase obrigação) de buscar a felicidade é o grande mal da atualidade – pessoas fingem, mais do que nunca, ser o que não são, pessoas buscam o que não lhes tem significado algum, pessoas se culpam por insucessos de que não fazem parte.
Não sou igual esse povo “retardado”, enxergo e assumo todo o sofrimento que é intrínseco ao ser humano, busco bons momentos de maneira operante. Minha esperança é operante, não aguardo graças divinas nem pago contas aqui pra receber após a morte. Em tempo: não acredito em nada disso.
Mas, encerrando meus pessimistas pensamentos (um dos meus filósofos prediletos – Schopenhauer – é considerado o mais pessimista de todos, portanto sou pessimista com muita honra), quero deixar claro que não quero ser feliz, já que isso é ser burro. Prefiro pensar e sofrer.
Não sou uma pedra, muito menos igual aos tolos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Algumas de minhas melhores citações

"Amor incondicional é falta de opção camuflada"

"Obrigações sagradas são antídotos para frustrações"

"Sonhos finitos, é a vida um milagre efêmero."

"Bons momentos são dissidentes que driblaram a guarda existencial."

"Na simbiose dos corpos, no entrelaçar de braços e pernas, no tempo gasto a dois e, mesmo assim, um sentimento de liberdade. Eis o amor".

“Na verdade qualquer alegria tem uma raiz trágica, afinal tudo é finito”

“Todo amor que nasce da falta de opção é falso e assaz destrutivo”

"Em um passo vivemos passado, presente e futuro, e, inevitavelmente, voltamos ao presente".

"Somos o acidente vivo mais complexo dessa vã existência"

“Chorar por nada e sorrir por tudo só te deixa com aspecto de retardado, o que só te mostra sensível aos olhos de outro”

“É mais fácil ser hipócrita do que assumir e gostar da angústia que inevitavelmente todo ser humano carrega”

“A erudição obrigatória é inócua e tola. Ela é um caminho, não um destino”

“Não condeno as mulheres à condição de reprodutoras e donas de casa, mas confesso que não entendo as que colocam a profissão em primeiro plano e fazem três ou quatro filhos”

“É muito fácil dizer “foi Deus quem quis assim” quando é o filho do vizinho que morre”

“Nada é mais desconfortante para um idiota do que obrigá-lo a pensar e a ter uma opinião não superficial sobre algo”

“Se você quer o bem de seu amor mesmo longe de você, você é um mentiroso ou não ama”

“Se você está empenhado em algo, o otimismo é operante e “enxerga”; se você está na pior e esperando que “energias” vão melhorar sua vida, o otimismo é burrice”

“Algumas pessoas entram em nossas vidas, as melhores irrompem”

“... Ele errou ao não dar-nos pálpebras nos ouvidos”

“Antes de qualquer coisa, somos animais, e animais franzinos cuja única arma é pensar”

“Seja pobre, deprimido e inseguro que acabarás seco ou sozinho”

“Entre dinheiro e segurança, que falte dinheiro – um homem seguro de si exala sensualidade”

“Mulheres, inteligentes ou não, têm a libido ativada ao deparar-se com ideias, a inteligência é para a mulher o que uma anca é para o homem”

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Fluoxetina


Considero engraçada (mentira!) essa mania das pessoas considerarem pessoas tolas e/ou desequilibradas como sensíveis. Como já disse, chorar por nada e sorrir por tudo só te deixa com aspecto de retardado, o que só te mostra sensível aos olhos de outro.
Pra ser realmente “tocado” por algo é necessário um mínimo de conhecimento, é necessário ter ideia própria e, principalmente, um gosto refinado. Do contrário, procure um psiquiatra.
Com base científica, pois alguns dos meus livros de cabeceira (não tenho cabeceira, meus livros ficam no chão) geralmente são científicos, eu afirmo que o conhecimento diminuí o sofrimento e amplia o gozo. Explico: quanto mais você conhece de seus limites ou dos limites humanos em geral, mais fácil fica lidar com impropérios angustiantes como doenças e ou variações emocionais, mas quanto mais você conhece da arte, por exemplo, mais sincero e sadio será seu prazer, ou seja: sua sensibilidade. Uma espécie de conversa entre arte (pergunta) e deleite (resposta).
Se você chora ou sorri adequadamente ao que te cerca, você é uma pessoa sensível; se você não chora nem sorri, você é chato; e se você chora ou sorri à toa, você é um tolo.
Pra terminar, uma frase de Osho (o homem mais perigoso do mundo depois de Jesus Cristo, segundo alguns escritores americanos), que prova que não sou contra viver de maneiras intensa e extrema as nossas sensações (desde que coerentemente aos momento e conhecimento) : “ Se você está sempre do lado esquerdo, você está errado; se você está sempre do lado direito, idem; mas se você está sempre no meio, você está morto.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não somos todos iguais


Com um ânimo que antecedeu uma imensa frustração, li uma entrevista da psicóloga americana Kristin Neff que, aparentemente inteligente, questionava a necessidade da alta autoestima.
Achei que navegaria pelo niilismo, mas apenas naufraguei em conceitos de religiões orientais.
Nos primeiros parágrafos ela me entreteve, tratou a autoestima como eu costumo tratar a felicidade, como nuance, ou como descreveu o grande escritor, também americano, Michael Keep, “a felicidade é uma emoção em meu fluxo constante de estados de ânimo, que mudam conforme as circunstâncias. Não é um estado de espírito perpétuo”. Mas voltando à psicóloga, toda minha boa esperança de ler um bom texto foi por água abaixo depois que percebi que era mais uma desesperada pela estética que disfarçava suas angústias em conceitos éticos, ou seja: é mais fácil ser hipócrita do que assumir e gostar da angústia que inevitavelmente todo ser humano carrega.
Altruísmo que conforta, risadas. Essa história de ser feliz sendo “feio” me inquieta, sendo “bonito” já é difícil! Mais risadas. Ora bem, ora mal, assim caminhamos, ora bons, ora maus, assim somos. O difícil é se dar bem sendo bom o tempo todo. Sofremos desde o momento de nosso nascimento, saindo do aconchego quentinho do ventre de nossa mãe para um mundo que não nos poupará de dores e desafios. Seja fraco (bonzinho) e sofrerá em dobro: não se dará bem na escola, não se dará bem com as garotas, não se realizará profissionalmente e, caso consiga uma família, será um trapo carregado.
Apesar da aparente digressão que fiz, o texto continua falando de autoestima, essa defendida pela americana, que quer que sejamos “todos iguais”, não é comigo. Sou melhor e pior que muita gente.
Não quero que meu filho seja uma “má pessoa”, por exemplo, mas não o quero poupando forças pra vencer quem ou o que for preciso para seu bem estar. Alguns bonzinhos vão me condenar, coisa que confesso adorar, mas ontem, no parquinho, meu filho dividia seus brinquedos com um recém amigo, achei bonito, claro, aí chegou a hora de ir embora e eu disse “Johan, deixe o patinho para o seu amiguinho brincar” - e ele disse “não, papai, o patinho é meu, preciso levar”. Essa atitude me deu uma enorme segurança quanto ao seu futuro, na hora de brincar é brincadeira, na hora da verdade é coisa séria.
O jogo da vida não é amistoso.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Bares, bailes e eruditos.


Com apoio de Schopenhauer, que desconsiderava a erudição como obrigatória para um bom conhecimento, dissertarei sobre algo que, sem modéstia alguma, entendo. E muito! A música.
Não posso ser hipócrita e dizer que não sou, de alguma forma, erudito; eu usufruí, e muito, dos conhecidos métodos de divisão, solfejo, teorias, técnicas e demais, academicamente, obrigatoriedades, mas, paralelo a isso, eu vivi a música da maneira mais intensa possível: dividindo-a, acompanhada de minha alma, com o público, ou seja: tocando.
Conheço músicos que, em rapidíssimas batidas por minuto, em semifusas, executam, com o virtuosismo de um bailarino russo, uma dificílima peça, porém não arrepiam um homem nu no Alasca. Mas, apesar da improbabilidade preconceituosa que alguns “conhecedores” tecem, já ouvi pessoas simples tocando “peças” pobres, toscas, arrepiarem até pessoas críticas ao extremo como eu. Preciso elucidar que não estou corroborando com a produção de músicas ruins, como é farta aqui em nosso país, apenas estou focando o talento de pessoas que emocionam até mesmo sem recursos. E, quanto à musica clássica, eu amo. Meu filho carrega o nome de “Johan” em homenagem a “Johann Sebastian Bach”, que considero o início e o fim de toda a música. Acho que não preciso dizer que nada tenho contra peças complexas e belas, não?
E, corroborando com minha defesa, é lógico que uma bela peça executada por um talentoso músico emociona muito mais que o exemplo que dei alguns parágrafos acima, quando falei de músicas pobres.
Por motivos particulares, carrego desde minha adolescência uma relação de amor e ódio (que hoje, no máximo da minha maturidade aplicada, considero sinônimos) com a música, mas é fato que sem a música nem sofrer direito é possível.
Digressão à parte, a erudição obrigatória é inócua e tola. Ela é um caminho, não um destino.
Alguns dos maiores nomes da música extra universidade, como Hermeto Pascoal, o gênio dos sons, não conseguem tocar uma música semelhantemente em duas apresentações. A criação é uma constante. E alguns dos maiores nomes do Jazz, como Oscar Peterson, que tocava o repertório clássico de “trás para frente”, nunca deixaram de criar, porém respeitando algumas regras, o que fazia se seu som algo único, ímpar. Eruditamente ou não, creio com muito afinco que a emoção vem da criação. Não entenda “criação” como improviso, necessariamente, mas leia como “Creare” - do latim – que significa fazer, produzir. Trocando em miúdos: é preciso produzir sensações. E, querido colega, espero que você não leve anos de estudo pra perceber que isso só se faz inconscientemente.
Quando digo que não é preciso improvisar, quero dizer que você pode tocar uma peça clássica exatamente como escrita na partitura de maneira única e criadora de sensações jamais sentidas.
Tecnicamente, a dinâmica é a matéria da música que mais causa boas sensações, que fazem seu coração bater em quiálteras. Mas aplique-a de maneira inconsciente, vai se dar melhor.
Um conselho (para os já músicos) que os eruditos vão detestar: leia apenas as notas numa partitura.
Existem várias receitas para se construir um bom músico, mas a melhor é ouvir e tocar. Ouvir boas músicas, bons músicos e, principalmente, os mais velhos, como eu.